ZZ8A/MM- Relato por PY1MT.

Publicado: novembro 17, 2017 em Uncategorized

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DXPEDITION RIO AMAZONAS – ZZ8A/MM

 

Eu sempre gostei de operar portátil e vi nessa rota fluvial entre Manaus-AM e Belém-PA a possibilidade de fazer algo desafiante em termos de viagem de férias juntamente com o nosso hobby. Então resolvi e vinha planejando a mais de um ano esta viagem para a Região Amazônica.

Não posso prosseguir sem antes agradecer o apoio do Pará DX Group, que na figura do Renato – PY8WW me apoiou no planejamento, na divulgação e também durante a viagem.  Desde que anunciei a expedição vários radioamadores de Manaus se colocaram à minha disposição para me ajudar com transporte ou qualquer outra necessidade que houvesse antes do meu embarque. Na chegada em Belém não tenho nem como agradecer a receptividade e cordialidade dos amigos que fiz naquela cidade. Muito obrigados aos amigos de Manaus e Belém. Quando vierem ao Rio de Janeiro contem comigo.

Vamos aos assuntos de rádio. Inicialmente eu e Renato iniciamos as discussões sobre qual indicativo eu usaria e a princípio seria PY8/PY1MT/MM. Seria um indicativo de chamada muito longo, que apesar de não ter a necessidade de tanta rapidez descobri que esse call gigante me atrapalharia para operar em FT8. Então resolvi aceitar a ideia inicial do Renato e solicitar um indicativo especial  junto à ANATEL. A autorização veio rápida, apesar dos percalços naturais e explicações diversas junto aos funcionários da agência RJ, que mesmo com um pedido não muito corriqueiro autorizou em menos de uma semana. Pronto! ZZ8A apta a entrar no ar.

Depois veio a dúvida se o correto seria operar /MF, /MM, /P, etc. Uma consulta rápida ao nosso amigo Cláudio PY2KP e a orientação foi que o correto seria operar /MM. Agradecimentos também ao Claudio pela presteza e cordialidade. Esse assunto chegou a gerar discussões calorosas no grupo do WhatsApp do Pará Dx, inclusive sobre quem eu havia consultado sobre o assunto na ARRL. Sem ressentimentos, vida que segue.

Depois de compradas as passagens aéreas para eu e minha esposa (Regina –PU1JYB) fiz contato com a empresa de navegação AR transporte, que é a proprietária do Navio Amazon Star e falei sucintamente sobre a minha intenção de instalar um rádio no navio e vir fazendo contatos pelo caminho. Sabemos como é difícil explicar sobre nossa atividade para quem é leigo e se falarmos demais às vezes podemos complicar o que está fácil.

Nosso vôo chegou em Manaus no sábado a noite e no domingo pela manhã já estava aproveitando uma feira de artesanato e comidas típicas que acontece aos domingos pela manhã bem no centro da cidade. O hotel em que fiquei era simples (Hotel São Paulo) e fora escolhido,  pois aos ver as fotos vi a possibilidade de instalar uma antena e começar operando uns dois dias antes do embarque no navio, mas não rolou porque acabei reclamando do ar condicionado que não funcionava a contento, trocando de quarto e acabei desistindo da empreitada por não notar a receptividade para tal pleito após minha reclamação do ar condicionado.

O setup usado na estação foi um rádio YAESU FT-897 com acoplador FC-30, uma fonte chaveada, uma antena vertical multibanda VC-0680, uma dipolo linked de 40m a 10m, uma G5RV, uma mesa dobrável e um netbook. Levei backup pra tudo, menos para o rádio, pois seria complicado viajar tantos quilômetros e ficar a pé por causa de uma interface de cw, interface de áudio, fonte, etc. Para o transporte e despacho aéreo da vertical eu construí um case de tubo de pvc de 150mm com duas tampas, que além da antena vertical levou também dois tubos de alumínio para emendar e fazer um pequeno mastro (foi muito útil) e dento do tubo também couberam tralhas como extensão, cabos coaxiais, cordinhas, etc.

Na segunda-feira (6) fui à agência pagar os 50% restantes da passagem do barco e expliquei melhor sobre o equipamento que ia usar e me comprometendo a não dar interferência nos equipamentos do barco (um sonar, um gps e alguns vhf marítimos). Ok tudo autorizado para montagem após a partida na quarta-feira dia 8.

Na quarta-feira (8) embarcamos logo cedo na esperança de montar a estação e antenas logo após o embarque, mas só consegui mesmo montar a estação dentro da pequena cabine, que apesar de pequena era limpa com um beliche com colchoes e travesseiros confortáveis e com um Split que dava conta e transformava a cabine num inverno europeu em relação ao clima do lado de fora e um frigobar (e dá-lhe beber água e cerveja rsrsrs). O barco zarpou ao meio dia e a tripulação trabalha muito na partida e fica difícil você conseguir acesso ao gerente. Esse é o cara, o gerente. O nome dele era Noel e era o cara que comandava o barco. Então fui procurá-lo no escritório dentro do barco e já segui municiado com uma caneca de porcelana personalizada da ZZ8A e alguns brindes para azeitar nossa conversa. Tudo beleza e pronto para subir no teto do barco pra instalar duas antenas, a vertical e a dipolo, mas nada de eu achar o tal marinheiro Guilherme que era o cara que poderia instalar a pesada escada na área externa na popa para acesso à parte superior do navio. Às vezes não sei se era navio ou se era barco. Era pequeno para um navio e grande para um barco, mas parecia bem seguro. Na verdade é um ferry boat. Vou continuar chamando de barco, pois é mais coloquial, mais simples. Permitam-me. Já caminhávamos pro final da tarde e nada do tal marinheiro, daí já com autorização do comandante Noel resolvi instalar a vertical multibanda bem na varanda em frente à porta da minha cabine e fiz um chocke na base dela na intenção de prevenir algum retorno de rf, devido à proximidade do meu rádio e da cabine de comando que era colada na minha cabine e eu não podia começar nada de forma a dar algum tipo de interferência e logo após instalar a vertical comecei já ao anoitecer de quarta a fazer contatos em 15m FT8, com apenas 20w para garantir o inicio da parte efetiva de rádio da viagem.

Na manhã seguinte (quinta dia 9) tive problemas de com interferência na minha rx e tx, causados aparentemente por um mau contato que não descobri. Sem pestanejar cassei o marinheiro Guilherme que enfim me ajudou na colocação da escada para acessar o teto do navio para instalar a dipolo linked, que pra quem não conhece é uma dipolo pra 40m com secções para 20, 15 e 10m. Muito mais trabalhosa a mudança de banda pelo fato de ter que subir no teto do barco, arriar a antena e fazer ou desfazer as conexões. Mas Mr. Murphy não é um cara fácil de se desvencilhar e como a antena dipolo não estava alta e sem choque passou a desarmar minha porta COM, desabilitando consecutivamente minha interface de CW e me trazendo desconforto até a identificação da pane à baixa altura, como falamos na aviação. Apesar destas panes recorrentes terem me irritado muito eu abria uma latinha de cerveja e saia um pouco da cabine para movimentar o esqueleto e aproveitar a paisagem linda do imenso Rio Amazonas.

O movimento nos corredores laterais em frente às cabines é muito intenso e só pude mexer na vertical na noite anterior e após um reaperto na ligação entre a saída do fio dos toróides e o tubo de alumínio irradiante,  tudo voltou a funcionar direito. Creio que o parafuso possa ter afrouxado devido ao transporte, vibração, etc. Também tirei a tampa e a fita termo retrátil que envolvia os toróides, na intensão de aproveitar o vento sempre forte pra refrigerá-los precavendo-me de um possível aquecimento nos mesmos.

Em todas as noites fiz chamados em CW na banda de 6m, mas infelizmente não obtive sucesso. Em 40m era impressionante a quantidade de bate papo de americanos em fonia, pareciam estações locais, tamanho o sinal das estações. Uma coisa era certa, se você chamasse em CW ou fonia e não obtivesse o retorno desejado era só partir pra FT8. 20m e 15m ficavam lotados grande parte do dia em FT8. Fiz muitos contatos nesse modo, mas não há prazer maior em operar CW com um certo pile up. Isso sim é “fazer rádio”. CW é muito bom. No final colocarei as estatísticas.

Na sexta-feira (10), pela manhã, recebi um zap de um amigo da Força Aérea para tentar um contato numa QRG fora da banda de radioamador e fui atendê-lo. Pra quem não sabe sou suboficial da FAB e seria um contato com um Esquadrão no Rio de Janeiro e o acoplador não sintonizava a QRG solicitada e mesmo assim tentei, pois a antena que estava conectada era a dipolo e durante a conversa o rádio deu um reset, devido ao retorno de RF e foi para os padrões de fábrica. O QSO foi feito, um lado com 20kw de potência e eu com 100 watinhos, mas eu havia ali perdido a equalização previa do meu headset  Yamaha, junto com o menu do rádio. Mr. Murphy é sinistro ! Depois disso abandonei a dipolo e fui de vertical. Nessa manhã estávamos atracados em Santarém. Nessa cidade o barco atraca por um tempo maior e é permitido que você desembarque para conhecer a cidade. Ali fomos recebidos pelo Jorge PY8JL, que nos brindou com um passeio pelos pontos principais da cidade. Eu e minha esposa ficamos muito felizes pela gentileza e cordialidade do Jorge. Um abraço meu amigo !

Ia me esquecendo. Na parada anterior, na cidade de Óbidos há uma fiscalização enorme da Marinha do Brasil, da Polícia Federal, Secretaria de Fazenda e Guarda Municipal. Os gringos, que eram muitos na viagem são convidados a mostrar o passaporte, quem acompanha criança mostra a documentação. Na minha cabine apenas um militar da MB  deu uma olhada e não me pediram documentação alguma. Tudo tranquilo pois estávamos com licença, COER, etc…

Praticamente todos os dias eu só fazia rádio na parte da tarde em diante. Na sexta aproveitei uma boa sequência, mas uma escolha errada de QRG me impossibilitou de operar split com o aumento de estações, pois havia uma expedição 3Khz acima. Daí, fui tentar outra QRG e o pileup se foi. Fica o aprendizado.

No sábado (11) eu tinha o dia todo pra rádio. Antena vertical ok, porta COM ok e toma-lhe a fazer dx em 20m CW, até que começou um conteste europeu e fui envolvido pelos chamados de TEST. Era a minha sina de não render bem pelas manhãs durante a viagem. Como não havia mais a possibilidade de fazer fonia, devido ao microfone do headset ter desconfigurado, passei a tarde em CW e enchi o log de brazucas em 20m, finalizando a dxpedition com 652 QSO. Poderiam ser mais se não fossem as panes e percalços, mas só tenho a comemorar pela experiência adquirida, pelas pessoas que conheci e pelas paisagens que vi durante esta viagem nos 1600km percorridos no Rio Amazonas. Agradeço a Deus por nos proteger, a minha esposa Regina PU1JYB por aceitar a proposta e me ajudar durante a viagem, a todos os colegas que fizeram contato com a ZZ8A/MM e a todos que de alguma maneira colaboraram e ficaram na torcida para que tudo desse certo. Muito obrigado e até a próxima.

Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2017.

Marcelo – PY1MT

QSL CARD.

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